DAQUELA JANELA

                                                                      Fonte: Google Imagens


       O espelho me encarava friamente, querendo me desafiar com os olhos fundos e negros que refletiam a pessoa diante dele. Os vidros implorando para serem quebrados e acariciados pelos meus pulsos...

     Os cabelo lisos por natureza agora desgrenhados, curtos, sem nenhum brilho sequer. Desconhecia a imagem que me olhava incessantemente e diante daquele cenário macabro senti um liquido quente a brotar em meus olhos, consequentemente escorrendo pelo rosto pálido, anêmico e irreconhecível.

       
       Cansada disso tudo, desesperada por um fim súbito, fujo vagarosamente para a janela que faz barulhos calmos,  seguidos de uma melodia triste e melancólica.

      Abro a janela buscando acompanhar a mensagem que a musica passava, na qual eu conhecia muito bem. Era familiar e carregada de ilusões nas quais eu não perdia tempo em ser mais uma vitima de suas brincadeiras.

     O tempo era supérfluo se comparado com o interior sombrio, com o riso calculado e hipócrita que por opção era manifestado afim de evitar perguntas nas quais eu não sabia, e nem queria responder.

       A chuva trazia a brisa leve e fria sobre minha face, enxugando friamente as lágrimas derramadas a instantes atrás...

       A rua abaixo estava vazia, mas não tão vazia como a alma abatida que ficava presa involuntariamente dentro daquele corpo fraco e desnutrido. As pessoas a essa hora estariam em suas camas confortáveis, cobertas, sonhando com mais dinheiro do que já tinham e planejando como conquistar ainda muito mais... Talvez eles não saibam que a garota da casa ao lado era diferente de todas as outras garotas de todas outras casas e de todos os outros lados, onde habitava com a busca retraída e amargurada de um final rápido, pois a vida que ela pouco tinha não fazia sentido algum...

      "Ninguém sentiria minha falta, os jornais falariam por alguns dias, as pessoas comentariam entre si, mas eu não me importo mesmo..." esse foi o pensamento, talvez o mais inteligente durante toda aquela vida...

       Aquela janela foi a marca da saída do sofrimento para a entrada do Nada, que foi o melhor que eu pudera conhecer.

       Subi em cima dela, olhei para trás dando adeus ao apartamento que era até agora o palco de todas as mutilações e lágrimas, pois lágrimas e sangue eram os meus melhores amigos...

      Saltei, e durante 3 segundos vi a solidão face a face que piscou pra mim. Depois finalmente vislumbrei o que eu tanto almejava: O NADA.

                                                 Fonte: A Estranha na Janela


Apenas um texto fictício
Centro de valorização a vida (CVV)
Ligue: 188


10 comentários:

Anônimo disse...

Muito original
É sem apologias. Parabéns

Anônimo disse...

O final ficou perfeito

Luciene Oliveira disse...

Demais!

Anônimo disse...

Viajei nessa história

Manu disse...

gostei muito desta colocação

Anônimo disse...

Muito interessante
Poderia abordar mais este tema

Rodrigo disse...

muito massa mano

Anônimo disse...

existem muitas saidas
menos essas do desespero

Anônimo disse...

deu uma lida rápida, mas achei top

Anônimo disse...

setembro amarelo nos lembra muito da importância da ajuda que podemos oferecer ao pessoas