APENAS UM RETRATO PRETO E BRANCO PENDURADO


O vento sopra manso e calmo, apenas as roupas do varal e os galhos das árvores balançam. O calor já volta a maltratar, e já sinto saudade dos dias amenos que passaram. Daqui de onde estou, apenas ouço as idas e vindas das pessoas pela rua, mas não é muito intenso o movimento.

Espero a noite a passos devagar, como quem quer que demore a chegar. Além do sol forte que assola o meu conforto, aquela velha impaciência volta a ser um incômodo novamente. Às vezes sou imparcial com o que me rodeia, e os erros passam ser inevitável, o pior é errar duas vezes no mesmo erro, mas há erros que errar por duas ou mais vezes é muito saboroso.

Às vezes passo a pensar na vida e desejar que ela não fosse tão passageira. Por isso, tento eternizar pelo menos partes dos meus pensamentos. Há uma inspiração que já passou há muito tempo, e apareceu de repente. Certas vezes fugia de mim mesmo, e até fingia que não era nada, quando na verdade não sabia por qual dos caminhos que eu tinha de seguir. Até hoje tudo era apenas um retrato, um retrato preto e branco pendurado na minha memória, e que por algum motivo, o tempo esqueceu de apagar.

Se por isso culpo o tempo, então quem é culpado por mim agora?

Se eu sempre permaneci parado e apático diante de algumas decisões!

Na minha melodia há várias notas que faltam, e alguns dos acordes que eu escolhi são muito dissonantes e não se encaixam na canção. Deixei-me seduzir pelo doce pecado do desejo, pelo adocicado fel que me escorre entre os lábios e me adoça o corpo, lavando a minha alma que clama e pede por socorro.

Alguns dos meus termos figurativos saltam a ficção e reconfiguram minhas alusões quase infantis, mas permaneço aos passos de insinuações e situações que me requerem cautela. Não sou de submeter-me a julgamentos, porém o que eu já fiz foi feito. E os retratos pendurados que encontrei, fiz questão de deixá-los em preto e branco, da mesma forma que os deixei antes.

Nada se aproxima das situações pela qual já passei e tudo será diferente de hoje por diante, só não posso saber se realmente será bom, mas de certa forma, ainda posso me sair melhor que antes. Os caminhos sempre se cruzam, na verdade aonde esta mesmo o pecado, a não ser nos olhares em que a escuridão sempre revela. Nunca me peça o que eu não posso te dar, as ilusões sempre revelam mais verdades que na realidade que a gente sempre inventa.

Nossa realidade já fugiu pra bem longe, enquanto os nossos caminhos permanecem ainda no longínquo mundo do nada, esperando nada menos que nós mesmos. Só posso falar pelos meus passos e só posso questionar apenas o que não entendo. Em algumas vezes em que provo o sabor de novas línguas. Ou melhor, é em outras bocas que às vezes sempre me surpreendo. Ao falar dos caminhos pelo qual ainda não pisei, me causa certo desconforto... meio que uma sensação de curiosidade que não me deixa relaxar e fazer a observação correta. Não gosto nunca de especular, mas as dúvidas me fascinam.

Algumas figuras me desconcentram, ávido desejo que ainda não defini e nem posso chamar de nada, porque pra mim o nada é muito vazio e constante. Perco-me sem ao menos perceber nesse mundo constante e correlativo que o nada me proporciona. As cores ainda seguem bem vivas em meus olhos, frases se perdem sobre minha cabeça já esquentada e escaldada com a falta de caráter de algumas maiorias de pessoas, que em vez das cores sempre escrevem em preto e branco.

Volto a repetir... Onde estarão mesmo os pecados, a não ser nos olhares desconfiados que a escuridão revela. Um dia quem sabe, numa hora dessas os caminhos se cruzam, e vai saber, por onde andam as verdades que se escondem. Enfim, não só de palavras se constrói um texto, e nem só com lágrimas, se podem chorar.


Ricardo Lima

16 comentários:

Anônimo disse...

Que magnífico. Adorei

Anônimo disse...

Muito originalidade parabéns

Anônimo disse...

acredito muito no seu potencial
parabens

Anônimo disse...

parabens

Anônimo disse...

Esta temática deve ser debatida seriamente pela sociedade, pois são os casos de depressão e tristeza extrema que resultam quase todos nesse trágico fim.

Anônimo disse...

No titulo imaginei outra coisa muito diferente

Anônimo disse...

Um título bem chamativo

Anônimo disse...

Por isso amo textos pequenos
estes textos maiores e mais complexos me dá uma fala de coragem kkkk
mas ta lindo. parabens RICARDO LIMA

Anônimo disse...

"E os retratos pendurados que encontrei, fiz questão de deixá-los em preto e branco, da mesma forma que os deixei antes"

Pra não perturbar o equilíbrio das coisas
melhor deixar mesmo do jeito que encontrou.

Rodrigo Santos disse...

Não só de palavras se constrói um texto... caramba mano.

Anônimo disse...

Andei pelas postagens mais antigas, e vi coisas muito diferentes de hoje. Não vi todo o blog, tem muitas postagens, mas deu pra ver que é tudo muito diversificado, e não uma coisa unica. muito interessnate.

Anônimo disse...

muito interessante
a começar pelo titulo

amandinha disse...

Na minha melodia há várias notas que faltam

viajem muito louca. mas não entendi muito bem o que quer dizer

Anônimo disse...

impacto desde o título

Anônimo disse...

chega a surpreender

Unknown disse...

surpreendente