Criança

   Muitos absurdos já sonhei na vida. E nas minhas brincadeiras preferidas na infância, eu fui de cientista maluco a piloto de caça, marinheiro a mecânico. Ai que saudade desses tempos, onde a minha obrigação era apenas brincar. Passava horas no quintal de casa, com uma bacia cheia com água e barcos de papel navegando por oceanos perigosos e monstros tão reais.
   Debaixo de um abacateiro era o meu quartel, lá tinha uma grande pista de pouso para os meus  aviaozinhos de papel. E até ponto de pouso para discos voadores eu construí. Travei inúmeras batalhas pó lá, gueriei pelo ar e pelo mar. meus exércitos sempre venciam, éramos os mocinhos das minhas histórias. Hoje a brincadeira é mais seria, os aviaozinhos já não voam, os Barquinhos nem existem mais. E os exércitos já nem são mais veteranos, já sucumbiram ao passar dos tempos. Hoje me sinto desprotegido, não tenho os meus heróis de quadrinhos, e nem os da televisão.
   Tudo mudou, e tudo há de mudar então. Mudanças são inevitáveis e necessárias, só não mudei o meu jeito de sorrir e nem o meu jeito de olhar.

Ricardo Lima

Um comentário:

amanda disse...

Tempos bons o de criança. deu até saudade lendo esse texto