NA MESMA MANHÃ DO DIA SEGUINTE

     As nuvens mais uma vez passeiam no horizonte, e minhas lembranças vagam por entre alguns fragmentos, mas nada de importante. São poucas as razões que me encorajam e o mundo ainda permanece o mesmo, ao menos em meu olhar.

As frases quase que imploram, o silêncio ainda é a melhor arma que encontrei para desviar minha loucura já equilibrada ao meu meio. Ainda há manhãs no dia seguinte, manhãs nas quais as cores do mesmo dia ainda permanecem imperceptíveis. Olhares e lágrimas se misturam a chuva que disfarçam alguma tristeza ensaiada.

As manhãs do mesmo dia, os dias seguintes que sucedem as noites intermináveis, mais ou menos o que dizem ou o que fazem, nada acontece por acaso, em nada me faço culpado. Até onde sei, as manhãs sempre são as mesmas que passaram, e as paisagens já não passam de delírios. Cores sufocantes e risos ignoráveis.


Ricardo Lima

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